Quarta, 26 de Agosto de 2026
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Tribunal do Júri julga nesta segunda investigador da Polícia Civil réu por morte de PM em Cuiabá

Tribunal do Júri julga nesta segunda investigador da Polícia Civil réu por morte de PM em Cuiabá

15/12/2025 às 17h03
Por: Redação
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Tribunal do Júri julga nesta segunda investigador da Polícia Civil réu por morte de PM em Cuiabá

Acontece na tarde desta segunda-feira (15) o Tribunal do Júri que irá julgar o investigador da Polícia Civil Mário Wilson Vieira da Silva Gonçalves, acusado de matar a tiros o policial militar Thiago de Souza Ruiz, em uma conveniência de posto de combustível nas proximidades da Praça 8 de Abril, em Cuiabá. O crime ocorreu em abril de 2023.

A sessão é realizada no Fórum da Comarca de Cuiabá, sob condução da juíza Mônica Cataria Peri Siqueira, titular da 1ª Vara Criminal. 

O réu responde a ação penal por homicídio qualificado, com as agravantes de motivo fútil e uso de recurso que dificultou a defesa da vítima, conforme denúncia do Ministério Público do Estado de Mato Grosso. 

O crime

De acordo com as investigações, na madrugada do crime, a vítima chegou com um amigo em uma loja de conveniência, localizada em um posto de combustível. Posteriormente, Mário Wilson chegou ao local e foi apresentado à vítima.

Imagens de câmeras de segurança mostram os envolvidos conversando momentos antes do crime. Em determinado instante, o policial militar teria mostrado a arma que portava na cintura. Na sequência, o investigador civil se apropria do revólver e efetua os disparos que resultaram na morte de Thiago Ruiz.

Número do processo: 1007775-37.2023.8.11.0042

Acompanhe:

13h42 – Teve início, na tarde desta segunda-feira (15), no Fórum de Cuiabá, a sessão do Tribunal do Júri que julga o investigador da Polícia Civil Mário Wilson Vieira da Silva Gonçalves, acusado de matar o policial militar Thiago de Souza Ruiz.

13h43 – Foi realizado o sorteio do Conselho de Sentença, que ficou composto por sete jurados, sendo cinco mulheres e dois homens, responsáveis por decidir sobre a culpa ou inocência do réu.

13h53 – A primeira testemunha arrolada pelo Ministério Público começou a ser ouvida por videoconferência, dando início à fase de instrução do julgamento.

14h04 – Após problemas técnicos, a oitiva da testemunha foi retomada. Antes do prosseguimento, ela foi orientada a comprovar que estava sozinha no ambiente durante a videoconferência. Na sequência, Walfredo Raimundo, investigador da Polícia Civil, passou a ser inquirido pelo Ministério Público.

14h17 – Em depoimento, a testemunha Walfredo Raimundo relatou que a vítima não pretendia consumir bebida alcoólica no dia dos fatos e afirmou que Mário aparentava estar um pouco alterado. Ainda conforme o depoimento, ele tentou intervir para separar a briga, mas viu o réu sacar a arma. A testemunha afirmou que não sacou sua própria arma devido à presença de funcionários e clientes no local.

14h23 – O relato prossegue informando que Thiago saiu correndo, já ferido e com marcas de sangue. A testemunha disse que tentou controlar a situação e chegou a seguir Mário, advertindo que, caso ele deixasse o local do flagrante, iria acioná-lo posteriormente, por compreender a gravidade dos fatos.

14h25 – Visivelmente emocionado, afirmou: “Infelizmente, o último suspiro dele foi nos meus braços. Não teve jeito”. Em outro momento, declarou: “Eu fui quem apresentei os dois, mas fatos são fatos. Não vou conseguir mudar o passado”.

14h33 – Ao ser questionada pelo Ministério Público se a vítima tentava fugir da situação, a testemunha respondeu afirmativamente e declarou: “Ele simplesmente descarregou”. Segundo o relato, foram efetuados diversos disparos. “Se não me engano, cerca de 16 tiros”, disse Walfredo, descrevendo a arma como de calibre 9mm de última geração.

14h51 – A testemunha informou que permaneceu com a arma da vítima após o ocorrido e que, posteriormente, entregou a arma da vítima e a própria arma aos policiais militares que chegaram ao local do crime.

14h54 – Questionado se já teve alguma desavença com Mário, a testemunha afirmou que nunca teve conflitos com o réu e declarou que o considera uma boa pessoa.

14h56 – A testemunha passou a ser questionada pela defesa do réu Mário Wilson Vieira da Silva Gonçalves, representada pelo advogado Cláudio Dalledone Júnior.

14h59 – Questionado pelo advogado sobre a motivação que levou o réu Mário Wilson Vieira da Silva Gonçalves a tomar a arma da vítima, a testemunha Walfredo Raimundo Adorno Moura Junior afirmou que o policial civil não acreditava que a vítima fosse policial militar. Segundo o ele, a desconfiança do réu pode ter sido causada pela quantidade de tatuagens da vítima, o que teria levado Mário a tomar a arma, pois não estava acreditando na identidade de Thiago Ruiz.

15h29 - Segundo relato da testemunha, o armamento aquartelado segue o padrão estabelecido pela corporação. No entanto, o policial pode requisitar uma segunda arma, desde que a solicitação seja justificada pela situação enfrentada e pelas necessidades operacionais do serviço.

15h33 - Durante o depoimento, a defesa questionou o declarante sobre a arma funcional utilizada por cada policial. Em resposta, ele afirmou que os policiais são frequentemente alvo de ameaças e destacou que o colega envolvido na ocorrência era um profissional altamente operacional.

Ao ser perguntado se a vítima, Thiago, teria apresentado a arma funcional em algum momento, o declarante respondeu que não tem como afirmar. Diante da insistência do advogado, esclareceu que chegou a visualizar o distintivo.

15h37 - Questionado pela defesa se tinha conhecimento do motivo pelo qual o amigo, o policial militar Thiago, estaria sem porte de arma na data do crime, o depoente respondeu que não sabia informar. Em seguida, houve um momento de discussão entre defesa e acusação durante a audiência.

15h44 - Durante o depoimento, a testemunha se emocionou e chorou ao ser questionada sobre o fato de não saber que o colega estava sem porte de arma desde 2018 por conta de violência doméstica. O momento foi marcado por forte carga emocional no plenário. Em meio à oitiva, ele se manifestou e declarou: “Ele morreu nos meus braços”.

15h53 - Em depoimento, ele relatou que foi abordado por uma equipe da Polícia Militar assim que chegou ao hospital, informando que a ação envolveu duas viaturas. De forma objetiva, afirmou que entregou a arma de Thiago aos policiais no local.

Questionado sobre a apresentação da funcional, disse não se lembrar devido ao trauma. Em um relato marcado pela emoção, acrescentou que havia levado o amigo ao hospital: “Meu banco era só sangue”.

15h56 - Questionado se Mário teria aplicado algum golpe na vítima antes de efetuar o disparo, o depoente afirmou que estava do lado de fora no momento da ocorrência e, por isso, não tinha condições de visualizar a cena com clareza, relatando que apenas ouviu o barulho.
Vitória Maria Sena e Patrícia Neves

Coordenadoria de Comunicação do TJMT

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