
Novos alertas acenderam no debate sobre segurança digital e privacidade com a popularização dos óculos inteligentes. Estudos recentes apontam que o uso de acessórios com câmeras embutidas, como os modelos desenvolvidos em parceria pela Meta e Ray-Ban, está sendo desviado para capturar imagens e vídeos de mulheres em espaços públicos e privados sem qualquer consentimento.
Uma pesquisa da Universidade de Sydney revelou que grande parte do material gravado de forma encoberta por esses dispositivos e postado nas redes sociais configura potenciais situações de assédio. O levantamento analisou centenas de vídeos veiculados no Instagram, mostrando que a tecnologia facilita abordagens invasivas e a exposição indevida de vítimas, além de expor falhas nos filtros de detecção e moderação das próprias plataformas.
A preocupação com esse tipo de tecnologia também ganha força no Brasil. Especialistas e entidades de proteção de dados apontam que a captação de imagem e áudio sem autorização fere diretamente diretrizes da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e o Código de Defesa do Consumidor, reacendendo discussões sobre a necessidade de regulamentações mais rígidas para dispositivos vestíveis no país.