
O deputado estadual Júlio Campos (União) criticou o plano do Governo do Estado de encerrar gradualmente as atividades da Santa Casa de Cuiabá e cobrou a manutenção do hospital mesmo após a inauguração do Hospital Central do Estado. Em entrevista à imprensa nesta segunda-feira (22.12), o parlamentar afirmou que a entrega de uma nova unidade não pode significar o abandono de um patrimônio histórico e cultural nem a interrupção de serviços essenciais à população mais pobre.
“Não é porque inaugurou o Hospital Central, não é porque está uma obra belíssima e merece aplausos, que nós vamos esquecer a bandeira do não fechamento da Santa Casa. Nós queremos continuidade da Santa Casa e não pode aquele patrimônio histórico-cultural ser abandonado por um Estado rico como é Mato Grosso”, afirmou.
Júlio Campos disse que o Estado tem condições financeiras para manter as duas estruturas em funcionamento e alertou para a perda de serviços especializados. “Nós estamos com dinheiro em caixa suficiente para manter a estrutura da Santa Casa, atendendo os pobres, as pessoas humildes que precisam da oncologia infantil, da hemodiálise infantil. Não pode ficar cinco, seis centros cirúrgicos jogados às traças só porque o Hospital Central é novo e moderno”, declarou.
O deputado também destacou que o prédio da Santa Casa é tombado e não pode ser demolido.
Na última sexta-feira (19), o secretário de Estado de Saúde, Gilberto Figueiredo, afirmou durante a inauguração do Hospital Central que o Governo já definiu uma estratégia de encerramento gradual das atividades da Santa Casa. Segundo ele, cerca de 80% dos serviços atualmente prestados na unidade devem ser transferidos para o novo hospital, principalmente cirurgias e internações.
De acordo com o secretário, a migração será feita de forma escalonada, conforme as etapas do Hospital Central entrem em operação, com previsão de conclusão até abril. A declaração reforçou a preocupação de parlamentares e setores da sociedade sobre o futuro da Santa Casa, que hoje concentra atendimentos de alta complexidade e tem papel histórico na saúde de Cuiabá.
A Santa Casa de Misericórdia encerrou as atividades em março de 2019 após crise financeira que deixou empregados sem salários por sete meses. Em maio do mesmo ano, o Governo do Estado assumiu a estrutura por requisição administrativa e a transformou no Hospital Estadual Santa Casa, operação que será encerrada em dezembro de 2025.
Desde então, o Executivo estadual já repassou cerca de R$ 32 milhões pelo uso do prédio, mas o valor não foi suficiente para quitar todas as dívidas trabalhistas e fiscais da instituição.
O leilão aberto pela Justiça do Trabalho não teve interessados na compra do imóvel e, segundo o secretário de Saúde, o funcionamento do hospital deve seguir até abril de 2026. Após esse período, o destino da unidade é incerto.