
O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) afirmou nessa quinta-feira (20.11) que “a diplomacia brasileira não teve qualquer mérito” na retirada parcial das tarifas impostas pelo governo norte-americano aos produtos brasileiros. Mesmo à distância das negociações e do ambiente político em Brasília, o parlamentar atribuiu o recuo anunciado por Donald Trump (Republicano) exclusivamente a fatores internos da economia dos EUA.
Em publicação no X (antigo Twitter), Eduardo disse que a decisão “decorre apenas da necessidade de conter a inflação americana”, especialmente em setores que dependem de insumos estrangeiros. Segundo ele, a medida não é resultado da articulação conduzida pelo governo brasileiro, apesar de o recuo ter ocorrido dias após conversas diretas entre Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), retomadas no início de outubro.
"É preciso ser claro: a diplomacia brasileira não teve qualquer mérito na retirada parcial dessas tarifas de hoje. Assim como beneficiou outros países, a decisão dos EUA decorreu apenas de fatores internos, especialmente da necessidade de conter a inflação americana em setores dependentes de insumos estrangeiros", escreveu o deputado, afirmando ainda que a medida seria uma forma de Trump apresentar resultados na redução da inflação antes do início das eleições legislativas no país.
O deputado, que está nos Estados Unidos desde fevereiro deste ano, também voltou a responsabilizar o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, pela criação da chamada “tarifa-Moraes”, como tem se referido ao tarifaço de julho, quando os EUA elevaram em 40% a taxação sobre uma ampla lista de produtos brasileiros. Ele afirmou que a “instabilidade jurídica” provocada pelo ministro teria gerado desconfiança internacional e influenciado a imposição das tarifas.
As críticas foram feitas no mesmo dia em que Trump publicou a atualização da ordem executiva que removeu a sobretaxa de diversos produtos. A revisão liberou itens agrícolas como carnes, frutas, café, cacau, processados, vegetais e sucos, além de fertilizantes amplamente usados no agronegócio, como ureia, nitrato de amônio e cloreto de potássio. Minérios, derivados de petróleo e componentes industriais específicos também deixaram de ser taxados.
Documentos oficiais e assessores da Casa Branca apontaram que o recuo visou proteger setores da própria economia norte-americana, que dependem de insumos brasileiros, e não mencionaram qualquer influência de questões internas do Judiciário brasileiro.