
O deputado estadual Júlio Campos (União) negou nesta quarta-feira (27.08) que tenha retirado a assinatura do requerimento apresentado pela deputada Edna Sampaio (PT) para instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) destinada a investigar o aumento dos casos de feminicídio em Mato Grosso.
Campos foi enfático ao descartar a hipótese. “A essa altura da minha vida, com quase 80 anos, não faria esse tipo de coisa. Ninguém nem tem coragem de me pressionar, vocês sabem da minha posição de independência”, afirmou.
Questionado sobre a suposta pressão do governo para que parlamentares retirassem assinaturas, o deputado criticou a atitude de levar o assunto ao Palácio Paiaguás. “O erro começou por aí. CPI tem que mostrar independência. No dia em que se requer uma CPI, não é para pedir benção ao governo. É para investigar assuntos que muitas vezes podem contrariar. Eu não acredito que o governo tenha a ver com esse tipo de CPI. A CPI seria para discutir a violência doméstica, que é um assunto nacional e local. Ainda ontem tivemos dois graves incidentes: a prefeita de Pedra Preta, que foi agredida verbalmente por um vereador, e, à noite, uma colega da imprensa aqui em Cuiabá, que foi agredida por um policial aposentado apenas por cumprir seu trabalho”, declarou.
Júlio afirmou não ter recebido qualquer pedido do chefe da Casa Civil, Fábio Garcia, ou do governador Mauro Mendes (União) para retirar sua assinatura. Ele também evitou comentar a ausência do deputado Gilberto Cattani (PL), que não assinou a CPI mesmo sendo pai de uma vítima de feminicídio. “É um assunto muito pessoal, não vou dar meu ponto de vista”, disse.
No entanto, reforçou sua posição favorável às investigações parlamentares. “Assinei a da saúde, do consignado, assinei a do feminicídio. Acho que a Assembleia tem um papel vital, que é investigar as coisas que não estão acontecendo e que estão erradas. Então não há por que temer. Quem não deve, não teme”, ressaltou.
O deputado também se manifestou sobre a agressão verbal sofrida pela prefeita de Pedra Preta, Iraci Ferreira de Souza (PSDB), por parte do vereador Gilson da Agricultura (União). “Ele tem que ser pelo menos advertido por escrito ou até punido com suspensão de 30 a 60 dias pelo mau comportamento. Não se pode chamar uma prefeita, uma mulher, do jeito que ele chamou”, defendeu Campos.
Leia também - Vereador chama prefeita de “cachorra viciada” durante sessão da Câmara