Diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei RodriguesFoto: José Cruz/Agência Brasil
Andrei Rodrigues afirmou ao portal g1 que a corporação não se deixará intimidar por investigados. “Vamos instruir o inquérito em andamento com mais esse ataque às instituições, agora diretamente à PF, fato que se soma aos demais sob investigação”, declarou.
Nos bastidores da PF, a corporação estuda tomar medidas legais e incluir o conteúdo da live nas investigações em curso no STF, que apuram possíveis crimes cometidos por Eduardo Bolsonaro.
Eduardo, que é escrivão da PF licenciado, já responde a um processo administrativo disciplinar por declarações anteriores contra Shor. Além disso, é alvo de apuração da Procuradoria-Geral da República (PGR) por suposta obstrução de Justiça, coação no curso do processo e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito.
Retorno ao mandato e risco de perda do cargo
O deputado está nos Estados Unidos desde fevereiro, e sua licença de quatro meses terminou neste domingo (20/7). Em meio ao recesso parlamentar, ele reassume automaticamente o cargo, mesmo estando fora do país. Em sua live, garantiu que não pretende renunciar. “Eu não vou fazer nenhum tipo de renúncia. Se eu quiser, eu consigo levar meu mandato, pelo menos, até os próximos três meses”, afirmou.
A Constituição prevê a perda de mandato por faltas injustificadas a mais de um terço das sessões plenárias. Até o momento, Eduardo tem apenas quatro ausências não justificadas. Como o Congresso só retoma os trabalhos em 4 de agosto, o deputado ganha mais tempo antes que o tema seja levado à Mesa Diretora.
Mesmo assim, aliados do parlamentar já articulam mudanças no regimento da Câmara para evitar uma eventual cassação. Uma das propostas em debate é permitir o exercício remoto do mandato a partir do exterior.
Novo embate com o STF
Durante a transmissão, Eduardo voltou a disparar contra o ministro Alexandre de Moraes, relator das principais ações contra seu grupo político. Chamou o magistrado de “medíocre” e disse que não retornaria ao Brasil por temer ser preso.
A escalada de tensões entre a família Bolsonaro e o STF se agravou após o anúncio do “tarifaço” de Trump. O governo brasileiro vê nas ações do deputado uma estratégia para deslegitimar o Judiciário e mobilizar apoio internacional à tese de perseguição política, discurso já adotado por Jair Bolsonaro desde sua inelegibilidade.