
O Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Acre (Idaf) está intensificando as ações de vigilância fitossanitária, após a confirmação do primeiro foco de cancro cítrico em propriedades com cultivo de limão e laranja nos municípios de Brasileia e Epitaciolândia. A ocorrência foi identificada durante atividades de monitoramento realizadas pela equipe de Defesa Sanitária Vegetal da regional do Alto Acre, com confirmação laboratorial da presença da bactéria causadora da doença.
A ocorrência pode estar relacionada à introdução de mudas clandestinas provenientes do estado de São Paulo, conforme relatos de produtores rurais. No entanto, o Idaf está realizando uma investigação epidemiológica para identificar as possíveis vias de introdução e disseminação da bactéria nas áreas afetadas.

O cancro cítrico é uma doença causada pela bactéria Xanthomonas citri subsp. citri , que afeta plantas cítricas, como laranjeiras, limoeiros e tangerineiras. A enfermidade provoca lesões nas folhas, nos ramos e nos frutos, podendo comprometer a produtividade e causar prejuízos à comercialização.
A disseminação da bactéria pode ocorrer pelo transporte de material vegetal infectado, especialmente mudas, e pela dispersão de partículas contaminadas provenientes de plantas doentes, favorecida por condições ambientais e práticas inadequadas de manejo. Os procedimentos relacionados à caracterização do status fitossanitário, à vigilância e às medidas de prevenção, supressão e erradicação do cancro cítrico são disciplinados pela Instrução Normativa MAPA nº 21, de 25 de abril de 2018.
No Acre, o Idaf desenvolve ações de cadastramento de propriedades citrícolas, levantamento fitossanitário, inspeções, monitoramento de pragas e educação sanitária, por meio do Programa Estadual de Sanidade Citrícola (Pesc). Ao fim de 2025, o estado contabilizou 275 propriedades cadastradas.

O coordenador de Defesa Vegetal da regional do Alto Acre, Darison Alencar, um dos responsáveis pela identificação dos primeiros sintomas suspeitos, destaca a importância do acompanhamento técnico e do contato direto com os produtores rurais.
“Por meio do cadastro das propriedades, a equipe técnica do Idaf consegue realizar o monitoramento das áreas de produção. Foi justamente durante essas atividades que identificamos sintomas suspeitos de cancro cítrico em frutos de limão-taiti, em uma propriedade de Brasileia. Após investigação e realização de novas coletas, a presença da bactéria foi confirmada por análises laboratoriais. Toda a documentação foi encaminhada ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), que, em conjunto com o Idaf, dará os encaminhamentos necessários, conforme a legislação vigente”, explica.
Diante desse cenário, o Idaf alerta os produtores rurais sobre a importância de adquirir mudas somente de viveiros devidamente registrados e que possuam a documentação e a certificação fitossanitária exigidas pela legislação.

“Nosso objetivo é identificar precocemente qualquer ocorrência, realizar as investigações necessárias e adotar as medidas previstas na legislação para evitar a disseminação da doença. Também é fundamental contar com a colaboração dos produtores rurais, que devem comunicar ao Instituto qualquer sintoma suspeito em suas plantações. Precisamos proteger a citricultura acreana, que é uma importante fonte de renda para muitas famílias”, explica a coordenadora do Programa Estadual de Sanidade Citrícola do Idaf, Ana Cláudia D’Abadia.
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