Segunda, 26 de Outubro de 2026
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Servidor transforma paixão por abelhas nativas sem ferrão em desenvolvimento sustentável no Acre

A paixão pelo meio ambiente desde a infância levou Gabriel Ribeiro, servidor da Defensoria Pública do Acre, a retomar um antigo interesse: a criaçã...

26/10/2026 às 09h02
Por: Redação Fonte: Secom Acre
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Foto: Reprodução/Secom Acre
Foto: Reprodução/Secom Acre

A paixão pelo meio ambiente desde a infância levou Gabriel Ribeiro, servidor da Defensoria Pública do Acre, a retomar um antigo interesse: a criação de abelhas nativas sem ferrão. O que começou como hobby cresceu e hoje se transformou em um projeto que alia meliponicultura, educação ambiental e ecoturismo, impulsionando um mercado ainda pouco explorado no estado.

Gabriel criou a Trilha do Mel para aliar educação ambiental, preservação, ecoturismo e conhecimento sobre abelhas sem ferrão do Acre. Foto: José Caminha/Secom
Gabriel criou a Trilha do Mel para aliar educação ambiental, preservação, ecoturismo e conhecimento sobre abelhas sem ferrão do Acre. Foto: José Caminha/Secom

Dessa iniciativa nasceu a organização não governamental (ONG) Mãos que Ajudam, voltada para alternativas socioambientais que integram desenvolvimento sustentável, produção e expansão do ecoturismo, fortalecendo no estado a cadeia produtiva do mel, que vem crescendo desde 2018.

“Eu sempre tive contato com a floresta, desde criança. Na pandemia, voltei a estudar sobre as abelhas e percebi que poderia unir produção de mel com turismo sustentável. Hoje, nosso trabalho é mostrar que cuidar das abelhas é também cuidar da floresta”, afirma.

Trilha do Mel

A experiência turística, batizada de Trilha do Mel, começa com um café da manhã regional servido em meio à mata, com pratos típicos como baixaria, banana frita e tapioca. Em seguida, os visitantes percorrem uma trilha ecológica de 1,5 km, onde aprendem a história da seringueira e conhecem árvores emblemáticas como o apuí.

Maria Luísa Rodrigues visitou o Acre pela primeira vez e fez questão de conhecer a Trilha do Mel. Foto: José Caminha/Secom
Maria Luísa Rodrigues visitou o Acre pela primeira vez e fez questão de conhecer a Trilha do Mel. Foto: José Caminha/Secom

Animais silvestres, como macacos, também podem ser avistados na área de 150 hectares localizada na Estrada do Quixadá, próxima a Rio Branco.

Ao longo do percurso, Gabriel mantém mais de 50 caixas de espécies nativas sem ferrão. Os visitantes têm a oportunidade de abrir colmeias, observar o manejo e degustar diferentes tipos de mel. “Tem mel doce, salgado e até amargo. Essa diversidade mostra a riqueza do nosso bioma”, explica. O passeio termina com um banho de lago, em clima de integração com a natureza.

Educação e capacitação

Além do turismo, Gabriel promove, trimestralmente, formação de meliponicultores. “Aos nossos encontros vêm estudantes, servidores públicos, moradores da periferia e até crianças. Todos aprendem como criar abelhas sem ferrão de forma sustentável, sem derrubar árvores. É um trabalho que transforma o ecossistema de maneira positiva”, destaca.

Criação de abelhas nativas tem atraído mais adeptos no Acre. Foto: José Caminha/Secom
Criação de abelhas nativas tem atraído mais adeptos no Acre. Foto: José Caminha/Secom

No Acre, já foram catalogadas mais de 60 espécies de abelhas nativas sem ferrão, parte das mais de 400 existentes no Brasil. Além do mel, produzem pólen, conhecido como saburá, rico em proteínas e com benefícios comprovados para a saúde.

“Estudos mostram que o pólen ajuda a regular a glicose no corpo. É um alimento natural e acessível, que pode melhorar a vida de muita gente”, ressalta Ribeiro.

Na trilha, visitantes conhecem espécies e provam mel produzido no Acre. Foto: José Caminha/Secom
Na trilha, visitantes conhecem espécies e provam mel produzido no Acre. Foto: José Caminha/Secom

Impacto social e ambiental

O projeto idealizado por Gabriel Ribeiro já atrai entre 15 e 35 visitantes por mês e impacta diretamente mais de 60 pessoas. A maioria dos turistas vem de fora do Acre, em busca de experiências autênticas de ecoturismo amazônico.

A iniciativa também atua em parceria com comunidades indígenas e ONGs internacionais, ampliando o alcance da meliponicultura como alternativa de renda e ferramenta de preservação ambiental. “Quem cuida das abelhas precisa reflorestar. Então, automaticamente, quem antes derrubava árvores passa a plantar. As abelhas são um indicador de equilíbrio ambiental”, explica o produtor.

Cadeia do mel se revela como uma alternativa para avanço da bioeconomia. Foto: José Caminha/Secom
Cadeia do mel se revela como uma alternativa para avanço da bioeconomia. Foto: José Caminha/Secom

Um futuro promissor

Gabriel acredita que o Acre tem potencial para se tornar referência na produção de mel nativo e no ecoturismo sustentável. Para isso, ressalta a necessidade de incentivos e políticas públicas que fortaleçam essa cultura no estado.

“No Paraná, que já perdeu grande parte da Mata Atlântica, a produção de mel chega a milhares de toneladas. Imagine o que podemos alcançar aqui, com toda a diversidade da Amazônia. Nosso trabalho é multiplicar esse conhecimento e mostrar que a bioeconomia pode transformar vidas”, observa.

Projeto idealizado por Gabriel Ribeiro já atrai entre 15 e 35 visitantes por mês e impacta diretamente mais de 60 pessoas. Foto: José Caminha/Secom
Projeto idealizado por Gabriel Ribeiro já atrai entre 15 e 35 visitantes por mês e impacta diretamente mais de 60 pessoas. Foto: José Caminha/Secom

Pertencimento e valorização

Entre os visitantes que já vivenciaram experiências no Acre está Maria Luísa Rodrigues, servidora da Caixa Econômica Federal e natural de Belo Horizonte (MG). Apaixonada por viagens e pela Região Norte, escolheu o Acre motivada pela curiosidade e pela referência histórica de Chico Mendes na luta pela preservação ambiental.

Maria Luísa desembarcou em Rio Branco no dia 7 de setembro e percorreu destinos como a Reserva Extrativista Chico Mendes, em Xapuri, além de Brasileia, Cobija, na Bolívia, e Epitaciolândia. Também participou de atividades no projeto Florestania, visitou o Museu da Borracha, o Parque Ambiental Chico Mendes e fez passeios de caiaque na Área de Proteção Ambiental do Lago do Amapá. Os geoglifos, patrimônio arqueológico do estado, também estiveram em seu roteiro.

“É preciso chegar com a mente aberta, sem esperar encontrar o que vimos em outros lugares, mas sim descobrir o que o estado realmente oferece”, reflete.

Cadeia produtiva do mel no Acre vem se consolidando com o trabalho do Núcleo da Cadeia Produtiva do Mel (Numel), da Secretaria de Estado de Agricultura (Seagri). Foto: José Caminha/Secom
Cadeia produtiva do mel no Acre vem se consolidando com o trabalho do Núcleo da Cadeia Produtiva do Mel (Numel), da Secretaria de Estado de Agricultura (Seagri). Foto: José Caminha/Secom

A mineira avalia que o Acre está em processo de estruturação para receber mais visitantes e destaca ainda a importância de valorizar a cultura local, o artesanato e a produção agrícola, como o mel, além de mostrar ao turista a riqueza das reservas extrativistas. “É uma questão de pertencimento e valorização do meio ambiente. Cada turista tem seu perfil de busca, e o Acre tem muito a oferecer”, diz.

Maria Luísa pretende retornar em breve, com planos de conhecer Cruzeiro do Sul e outras regiões: “Apesar de ser pequeno, o Acre tem uma diversidade que merece ser explorada”.

No Acre, já foram catalogadas mais de 60 espécies de abelhas nativas sem ferrão, parte das mais de 400 existentes no Brasil. Foto: José Caminha/Secom
No Acre, já foram catalogadas mais de 60 espécies de abelhas nativas sem ferrão, parte das mais de 400 existentes no Brasil. Foto: José Caminha/Secom

Produção de mel no Acre ganha força com apoio da Seagri

A cadeia produtiva do mel no Acre vem se consolidando com o trabalho do Núcleo da Cadeia Produtiva do Mel (Numel), da Secretaria de Estado de Agricultura (Seagri). Sob a coordenação de Rúbia Lima, chefe do núcleo, a iniciativa já alcança 15 municípios e envolve cerca de 240 produtores rurais, extrativistas e indígenas.

Segundo a gestora, a Seagri atua com uma equipe multidisciplinar oferecendo assistência técnica, capacitações, cursos, oficinas e intercâmbios, além de fomentar diretamente os produtores com insumos, equipamentos e estrutura.

Entre as ações estão a entrega de caixas para criação de abelhas, cera, equipamentos de proteção individual e a aquisição de trailers e uma van para apoiar o beneficiamento. Também está em andamento a estruturação das Casas do Mel, fundamentais para garantir qualidade, agregação de valor e acesso a novos mercados.

A produção atual é de aproximadamente 14 toneladas anuais, com meta de alcançar 22 toneladas até 2030. “Queremos ampliar a atuação para todos os municípios do Acre, organizando os produtores em polos e fortalecendo a identidade do mel acreano, que tem características únicas, graças à nossa fauna e flora”, destaca.

Paixão pelo meio ambiente desde a infância levou Gabriel Ribeiro, servidor da Defensoria Pública, a retomar um antigo interesse: a criação de abelhas nativas sem ferrão. Foto: José Caminha/Secom
Paixão pelo meio ambiente desde a infância levou Gabriel Ribeiro, servidor da Defensoria Pública, a retomar um antigo interesse: a criação de abelhas nativas sem ferrão. Foto: José Caminha/Secom

1ª Feira do Mel

A Seagri também apoia iniciativas independentes, como a ONG criada por Gabriel Ribeiro, que integra meliponicultura, apicultura (criação de abelhas com ferrão) e ecoturismo. “Esse tipo de trabalho contribui para disseminar conhecimentos e valorizar a biodiversidade. Nossa atuação busca aproximar produtores e instituições, promovendo a troca de experiências e incentivando a participação em eventos e feiras”, explica.

Entre os desafios, Rúbia aponta a necessidade de ampliar a produção com qualidade e certificação. Atualmente, apenas uma Casa do Mel possui o Selo D’Colônia, mas a meta é expandir para outras unidades e conquistar o registro no Serviço de Inspeção Federal (SIF), o que permitirá comercializar fora do estado e futuramente exportar.

Criação de abelhas nativas tem crescido e fortalecido a cadeia do mel no Acre. Foto: José Caminha/Secom
Criação de abelhas nativas tem crescido e fortalecido a cadeia do mel no Acre. Foto: José Caminha/Secom

A realização da 1ª Feira do Mel do Acre, prevista para este ano, é um marco nesse processo. A iniciativa, proposta por Gabriel e acolhida pela Seagri, contará com palestrantes do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) e será um espaço de comercialização, conhecimento e valorização dos produtores. “Queremos que a feira seja também um ambiente de conscientização sobre a importância das abelhas para a biodiversidade, a floresta e a produção de alimentos”, afirmou Rúbia.

Com méis de sabores diferenciados e já reconhecidos nacionalmente – uma produtora do estado conquistou o 3º lugar em competição nacional – o Acre busca posicionar-se em nichos de mercado que valorizem produtos de identidade própria.

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