Domingo, 18 de Outubro de 2026
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Dia do Médico: profissionais do Hemopa destacam cuidado humanizado e avanços na assistência hematológica

Com 40 anos de atuação na Fundação, médica compartilha experiências no acompanhamento de pacientes, enquanto atendimento especializado avança com n...

18/10/2026 às 14h18
Por: Redação Fonte: Secom Pará
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Foto: Kássia Fonseca - Ascom/Hemopa
Foto: Kássia Fonseca - Ascom/Hemopa

Neste domingo (18), Dia do Médico, a Fundação Centro de Hemoterapia e Hematologia do Pará (Hemopa) destaca a dedicação dos profissionais que atuam no diagnóstico, tratamento e acompanhamento de pacientes com doenças hematológicas. Entre essas histórias estão as das médicas Ieda Pinto, hematologista e hemoterapeuta com 40 anos de atuação na instituição, e Saíde Maria Sarmento Trindade, hematologista pediatra e coordenadora do ambulatório, que reforçam a importância do cuidado humanizado e da assistência especializada à população paraense.

Ao longo de quatro décadas de trabalho no Hemopa, Ieda Pinto acompanhou diferentes gerações de pacientes com doenças hematológicas crônicas e hereditárias. A experiência permitiu à médica compreender que o tratamento vai além das consultas e dos procedimentos, envolvendo também as dificuldades enfrentadas pelos pacientes para manter o acompanhamento contínuo.

No ambulatório da Fundação, o atendimento é realizado por equipes multiprofissionais, que atuam de forma integrada para garantir diagnóstico, tratamento e acompanhamento. Para Ieda, um dos principais desafios é estimular a adesão dos pacientes às orientações médicas.

“Nosso maior desafio é garantir a adesão ao tratamento, especialmente entre pacientes com doenças crônicas e hereditárias. É fundamental que eles compreendam a importância de comparecer às consultas, utilizar corretamente os medicamentos e realizar os exames laboratoriais necessários”, explicou.

A percepção da hematologista sobre os desafios do tratamento foi ampliada a partir de experiências que permitiram conhecer a realidade de pacientes de diferentes regiões do Pará, incluindo localidades do Marajó e os municípios de Cametá e Altamira.

Durante iniciativas voltadas à compreensão da jornada do paciente, Ieda observou como as grandes distâncias e as dificuldades de deslocamento podem comprometer a continuidade do acompanhamento médico.

“Quando conhecemos as dificuldades que o paciente enfrenta para chegar até o Hemopa, conseguimos compreender melhor por que, muitas vezes, ele não consegue manter a regularidade do tratamento. Passamos a enxergar todo o esforço necessário para que essa pessoa esteja presente em uma consulta”, relatou.

Diante dessa realidade, a médica passou a flexibilizar, sempre que possível, sua rotina para atender pacientes que chegam a Belém fora dos dias habituais de seu ambulatório, especialmente aqueles que dependem do Tratamento Fora de Domicílio (TFD).

“Quando conhecemos a jornada do paciente, conseguimos oferecer um atendimento mais humanizado. Passamos a olhar para aquela pessoa de forma mais ampla, compreendendo suas necessidades e dificuldades”, afirmou.

Assistência especializada começa na infância

Na hematologia pediátrica, o acompanhamento pode começar nos primeiros meses de vida. A médica Saíde Maria Sarmento Trindade, coordenadora do ambulatório do Hemopa, explica que a Fundação recebe crianças encaminhadas após alterações identificadas no teste do pezinho ou diante de suspeitas de distúrbios de coagulação.

A partir do diagnóstico, o cuidado envolve não apenas a criança, mas também seus familiares, que precisam de orientação e acompanhamento durante as diferentes etapas do tratamento.

“Quando cuidamos de uma criança que recebe um diagnóstico, precisamos cuidar também da família. Como sempre destaca nossa equipe de psicologia, não podemos deixar que a família adoeça. Por isso, o trabalho multiprofissional é fundamental”, ressaltou Saíde.

O acompanhamento especializado se estende pelas diferentes fases da vida, contemplando pacientes com coagulopatias e hemoglobinopatias, por meio de diagnóstico laboratorial, avaliações clínicas e tratamentos específicos, conforme as necessidades de cada pessoa.

A coordenadora também destaca a importância da atualização dos tratamentos e do compartilhamento de conhecimentos entre profissionais e serviços de saúde. Segundo ela, os recursos digitais contribuem para aproximar equipes e ampliar o acesso à assistência especializada em um estado com grandes distâncias territoriais.

Hemopa amplia atendimentos e incorpora novos procedimentos

Além do trabalho desenvolvido pelos profissionais, o Hemopa tem avançado na ampliação dos serviços e na oferta de procedimentos especializados.

Entre janeiro e agosto de 2026, a Fundação realizou 6.296 consultas médicas, conforme dados da Coordenação de Atendimento Ambulatorial (Coamb). Em 2025, foram registrados 8.467 atendimentos, enquanto em 2021 o total foi de 5.926 consultas, representando crescimento de aproximadamente 43% na comparação entre os dois anos completos.

Em junho de 2026, a instituição implantou o procedimento de eritrocitaférese, utilizado no tratamento de pacientes com doença falciforme. A técnica consiste na troca de hemácias alteradas por hemácias saudáveis, ampliando os recursos disponíveis para a assistência hematológica.

Entre outras iniciativas estão a oferta de fisioterapia respiratória para pessoas com doença falciforme e a descentralização da infusão de pró-coagulantes para pacientes com hemofilia e de enzimas para pessoas com doença de Gaucher em municípios paraenses.

A Fundação também desenvolve ações para garantir a continuidade da escolarização de pacientes em tratamento prolongado, por meio da Escola Hospitalar, realizada em parceria com a Secretaria de Estado de Educação (Seduc).

Outro avanço registrado em 2026 foi a formalização de um acordo de cooperação técnica com a Fundação Santa Casa de Misericórdia do Pará, que prevê a disponibilização de leitos clínicos adultos e pediátricos de retaguarda e a realização de biópsias medulares, conforme as condições estabelecidas entre as instituições.

Para o presidente da Fundação Hemopa, Paulo Bezerra, o Dia do Médico é uma oportunidade de reconhecer o compromisso dos profissionais que contribuem diariamente para a qualidade da assistência oferecida à população.

“Neste Dia do Médico, expresso minha gratidão e reconhecimento aos profissionais do Hemopa que atuam na Hematologia, Hemoterapia e demais especialidades. Com dedicação, competência e sensibilidade, são essenciais para garantir uma assistência segura, especializada e humanizada aos pacientes em todo o Pará. A todos, minha admiração e parabéns!”, destacou.

A atuação desses profissionais, aliada à ampliação dos serviços e à incorporação de novas tecnologias, reforça o compromisso do Hemopa com o atendimento especializado e humanizado aos pacientes que necessitam de acompanhamento hematológico contínuo.

Texto: Aline Seabra, com informações de Kássia Fonseca, estagiária sob supervisão

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