Sexta, 09 de Outubro de 2026
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Acidentes com disco de arado representa maior número de internações no HMC

A Prefeitura de Cuiabá, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), em parceria com a Empresa Cuiabana de Saúde Pública (ECSP), alerta para os...

09/10/2026 às 16h33
Por: Redação Fonte: Prefeitura de Cuiabá - MT
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Crédito: Rennan Oliveira
Crédito: Rennan Oliveira

A Prefeitura de Cuiabá, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), em parceria com a Empresa Cuiabana de Saúde Pública (ECSP), alerta para os riscos de acidentes que provocam queimaduras. Entre janeiro e outubro de 2026, o Centro de Tratamento de Queimados (CTQ) do Hospital Municipal de Cuiabá (HMC) registrou 210 internações. Desse total, 80 foram relacionadas a acidentes com álcool/etanol utilizado em discos de arado, o equivalente a 38,1% das internações registradas no período.

O disco de arado é uma peça metálica circular originalmente utilizada em máquinas agrícolas para o preparo do solo e que passou a ser reaproveitada como uma espécie de chapa para o preparo de alimentos. O equipamento é utilizado principalmente em churrascos e confraternizações para o preparo de carnes e outros alimentos.

O risco aumenta quando álcool ou etanol são utilizados para acender o fogo. A chama pode se espalhar de forma repentina e atingir pessoas que estejam próximas, provocando queimaduras graves.

A secretária municipal de Saúde, Deisi Bocalon, destaca que os números reforçam a importância da prevenção.

“São acidentes que podem acontecer em poucos segundos, mas que podem deixar consequências para toda a vida. Por isso, nosso alerta é principalmente para a prevenção. É fundamental que os adultos tenham cuidado ao utilizar fogo e produtos inflamáveis e mantenham as crianças afastadas dessas situações. A rede municipal está preparada para atender esses pacientes, mas o mais importante é evitar que a queimadura aconteça”, afirmou.

Entre as crianças, o perfil dos acidentes é diferente. Café, água quente e óleo quente estão entre as causas mais frequentes de queimaduras atendidas no CTQ.

Segundo a médica responsável pelo CTQ do HMC, Dra. Adriana Barón, a curiosidade própria da infância e a proximidade com os pais durante atividades domésticas estão entre os fatores que aumentam o risco.

“A criança é muito curiosa e normalmente quer acompanhar a mãe na cozinha, quer ver o que ela está fazendo. Às vezes puxa uma toalha, pega uma panela ou acaba derrubando um caldo ou uma bebida quente sobre o corpo. No churrasco acontece algo semelhante: os meninos querem acompanhar o pai, ficam próximos do disco de arado e do momento em que o álcool está sendo colocado. É preciso ter essa precaução e evitar que a criança fique próxima”, explicou.

A médica também chama atenção para as particularidades das queimaduras em crianças. A pele infantil é mais sensível e uma lesão que parece pequena pode representar uma área proporcionalmente maior em um corpo de menor tamanho.

“A criança tem uma pele muito mais sensível que a do adulto. Então, uma queimadura que para nós poderia parecer simples pode se tornar uma queimadura grave. Além disso, é preciso considerar a extensão corporal. Uma queimadura que em um adulto atingiria uma área pequena pode representar uma porcentagem muito maior do corpo de uma criança, aumentando o risco de complicações”, explicou Adriana.

Nos primeiros momentos após o acidente, a orientação é lavar a região atingida com água fria, podendo utilizar uma compressa limpa e úmida, e procurar atendimento médico o mais rapidamente possível.

Casos de menor gravidade devem ser avaliados em uma UPA ou unidade de saúde mais próxima. Já os casos graves são encaminhados para atendimento especializado no CTQ. A médica alerta ainda para um erro comum: o uso de receitas caseiras.

“O que não deve ser colocado sobre a queimadura é café, óleo ou qualquer outra receita caseira. O óleo, por exemplo, em uma pele que já está com a temperatura aumentada, pode irritar ainda mais. A babosa também não deve ser utilizada por conta própria. É preciso avaliação médica para saber se existe indicação, principalmente quando se trata de uma queimadura mais profunda”, orientou.

O CTQ do HMC é a única unidade especializada em queimaduras existente em Mato Grosso. O serviço tem como objetivo reduzir a mortalidade dos pacientes queimados por meio de atendimento rápido e especializado, prevenindo complicações como infecções e desidratação.

Além do atendimento nas enfermarias e na UTI, o CTQ conta com equipamentos e equipe especializada na reabilitação dos pacientes. O serviço também realiza procedimentos de cirurgia plástica em casos que apresentam grandes sequelas na pele, como retrações cutâneas e perdas teciduais provocadas por necrose decorrente da queimadura.

O acompanhamento especializado busca ainda evitar ou reduzir sequelas funcionais, como perda de movimento dos membros e limitações de mobilidade.

A diretora-geral da Empresa Cuiabana de Saúde Pública, Kelluby de Oliveira, destaca a estrutura oferecida pelo serviço. “O CTQ oferece um atendimento especializado que vai muito além do cuidado inicial da queimadura. A equipe acompanha o paciente durante todo o processo de recuperação, inclusive nos casos que precisam de reabilitação e procedimentos reparadores. Nosso objetivo é garantir não apenas a sobrevivência, mas também a recuperação da funcionalidade e da qualidade de vida”, afirmou.

Julho registrou o maior número de internações por queimaduras no período analisado, com 32 casos. O mês coincide com o período de férias escolares, quando aumentam os encontros familiares e as confraternizações, ocasiões em que o disco de arado costuma ser utilizado para o preparo de alimentos.

O uso de álcool ou etanol para acender o fogo, no entanto, aumenta o risco de acidentes, já que a chama pode se espalhar de forma repentina e atingir pessoas que estejam próximas.

Na sequência aparecem agosto, com 26 internações; janeiro, com 25; abril, com 23; março e setembro, com 21 cada; maio, com 20; junho, com 19; fevereiro, com 17; e outubro, com seis registros até o período contabilizado.

Além dos 80 casos relacionados a álcool/etanol, o CTQ registrou 31 internações por choque elétrico, 27 por água quente, 20 envolvendo chamas ou incêndios e 12 por óleo quente.

Também foram registrados nove casos relacionados a outros líquidos ou alimentos quentes, nove envolvendo gasolina, nove provocados por equipamentos ou superfícies quentes, quatro por outros produtos ou combustíveis, três relacionados a sequelas ou sem nova causa identificada, três por gás ou explosão, dois por fogos e pólvora.

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